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06/04/2020

Comunicado sobre a resolução CFM nº 2.272

São Paulo, 06 de abril de 2020.

Estimados Membros,

O COLÉGIO BRASILEIRO DE CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCO-MAXILO-FACIAL (CTBMF) tomou conhecimento da revogação da Resolução CFM nº 1.950/2010 e da publicação de uma nova (CFM nº 2.272, de 14.02.2020) pelo Conselho Federal de Medicina. A postura do Conselho Federal de Odontologia (CFO) frente a Harmonização Orofacial (HOF) foi, provavelmente, um dos principais motivos que levaram a essa atitude do CFM.

O CBCTBMF sempre defendeu que procedimentos cirúrgicos de HOF só deveriam ser realizados por cirurgiões-dentistas, especialistas em CTBMF e ainda seria necessário criar um ambiente favorável para isso, como massificar os assuntos nos congressos, implementar cursos de formação dentro e fora do país com regras claras, que pudessem garantir uma boa formação.

Esse ano CBCTBMF completa 50 anos de sua existência, sempre lutando pela especialidade, sobretudo em momentos difíceis. Grandes cirurgiões e professores desta renomada entidade foram responsáveis por conquistas históricas da especialidade e obviamente da Odontologia, inclusive na que culminou com a criação da Câmara Técnica CFO-CFM que pacificou e deu tranquilidade ao Cirurgião Bucomaxilofacial para atuar.

Nossa especialidade vem intensificando a necessidade de uma formação ampla e rigorosa, como um requisito imprescindível para que possamos acompanhar a evolução das técnicas cirúrgicas e ganhar espaço com respeitabilidade no mercado de trabalho.

Infelizmente nos últimos anos, as questões mercadológicas atropelaram esse processo fisiológico, que acreditamos ser o ideal, sobretudo devido ao grande número de formados em Odontologia.

Sabendo da nossa obrigação, não nos furtaremos de encontrar um consenso entre os referidos conselhos de classe (CFO/ CFM) para que nossa área de atuação não seja subjugada por outras classes, pois acreditamos que é possível conviver com harmonia e com respeitabilidade quando trabalhamos em uma mesma área anatômica.

Portanto, já estamos tomando todas as providências necessárias para que a Resolução CFM nº 2.272, de 14.02.2020 não nos prejudique, apesar de sabermos que os efeitos do ATO MÉDICO não nos “atingem” e que a nossa área de atuação é resguardada pela LEI 5.081 e as resoluções do CFO.

Atenciosamente,

Dr. José Rodrigues Laureano Filho
PRESIDENTE DO CBCTBMF


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RESOLUÇÃO CFM Nº 2.272, DE 14.02.2020

Revoga a Resolução CFM nº 1.950/2010, publicada no DOU de 7 de julho de 2010, seção I, p. 132, e estabelece critérios quanto à atuação de médicos na área craniomaxilofacial, à luz da Lei nº 12.842, de 10 de julho de 2013.

O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, no uso das atribuições que lhe confere a Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957, regulamentada pelo Decreto nº 44.045, de 19 de julho de 1958, alterado pelo Decreto nº 6.821, de 14 de abril de 2009, e alterada pela Lei nº 11.000, de 15 de dezembro de 2004,

CONSIDERANDO que o alvo da atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo zelo e o melhor de sua capacidade profissional;

CONSIDERANDO o risco de complicações imediatas e/ou tardias, impossibilitadas de serem tratadas por profissional não médico;

CONSIDERANDO que as relações do médico com os demais profissionais em exercício na área da saúde devem, buscando sempre o interesse e o bem-estar do paciente, basear-se no respeito mútuo, na liberdade e na independência profissional de cada um;

CONSIDERANDO controvérsias ainda existentes na área de atuação do cirurgião-dentista no que diz respeito ao tratamento de doenças que acometem a região craniocervical;

CONSIDERANDO ser inquestionável, em face da vigente legislação de sua formação acadêmica, que o cirurgião-dentista não é habilitado nem autorizado a praticar anestesia geral, nem a emitir declaração de óbito;

CONSIDERANDO que as cirurgias craniocervicais são realizadas por médicos especializados, aos quais é impossível estabelecer restrições de qualquer natureza, salvo as de estrita competência do cirurgião-dentista;

CONSIDERANDO a necessidade de estabelecer normas que visem proporcionar aos profissionais e pacientes um maior grau de segurança e eficácia no tratamento dessas doenças;

CONSIDERANDO o que dispõem as Resoluções CFM nº 2.056/2013, 2.147/2016 e 2.174/2017;

CONSIDERANDO a Lei nº 12.842, de 10 de julho de 2013, que regula as atividades privativas do médico; e

CONSIDERANDO o decidido na sessão plenária de 14 de fevereiro de 2020, resolve:

Art. 1º É de competência exclusiva do médico o tratamento de todas as neoplasias malignas, das doenças das glândulas salivares maiores (parótidas, submandibulares e sublinguais), das doenças dos seios paranasais e cavidades nasais, a sialoendoscopia diagnóstica e terapêutica, o acesso pela via cervical infra-hióidea e afecções superiores ao rebordo inferior da órbita, excetuando o trauma de face, bem como a prática de cirurgia e procedimentos com finalidade estética e/ou funcional, ressalvando, não de forma exclusiva, a cirurgia reparadora e com finalidade estético-funcional do aparelho estomatognático, a saber, da oclusão dentária e estética dos dentes.

Art. 2º Os médicos anestesiologistas somente poderão realizar procedimentos anestésicos em pacientes a serem submetidos a cirurgia por cirurgião-dentista quando esta for realizada em unidades de saúde adequadas às normas do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Parágrafo único. A realização de ato médico anestésico deve estar de acordo com os critérios contidos nas Resoluções CFM nº 2.056/2013 e 2.174/2017.

Art. 3º Ocorrendo o óbito de paciente sem a participação do médico, a declaração de óbito será fornecida em conformidade com a Resolução CFM nº 1.641/2002.

Art. 4º Revoga-se a Resolução CFM nº 1.950/2010.

Art. 5º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.

MAURO LUIZ DE BRITTO RIBEIRO
Presidente do Conselho

DILZA TERESINHA AMBRÓS RIBEIRO
Secretária-Geral



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