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26/06/2019

Mortes por fogos de artifício no Brasil caem cerca de 35%

Para cada morto, três sobrevivem, em média, com queimaduras no rosto e nas mãos; crianças e animais de estimação são as maiores vítimas.

12:04 - 26 de Jun de 2019

Levantamento realizado pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, sobre mortes e internações por fogos de artifício, com base nos registros de hospitais públicos ou conveniados ao SUS, revelou que 228 pessoas perderam a vida em contato com fogos de artifício no Brasil, desde 1996, quando o levantamento começou a ser realizado.

A notícia positiva é que de 2016 para 2017 o número de mortes caiu em cerca de 35% passando de 21 para 14 óbitos. "Para cada pessoa morta, três sobrevivem, em média, com queimaduras no rosto e nas mãos e terão que conviver com sequelas pelo resto da vida", alerta o presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, José Rodrigues Laureano.

O Sudeste é a região com o maior número de mortes, desde 1996, com 91 mortes, seguido do Nordeste, onde as festas juninas são bastante tradicionais, com 79 mortes. Depois aparecem as regiões Sul (35), Norte (19) e Centro-Oeste (8).

O número de internações permaneceu praticamente estável, com 488, no ano passado. Em 2017 foram 486 internações e em 2016 foram 613. O total de internações entre 2010 e 2018 foi de 4.882. Nesse mesmo período, 2.040 pessoas foram internadas por queima de fogos de artifício na região Sudeste, seguida do Nordeste com 1.691 casos, do Sul com 451, Norte com 386 e Centro-Oeste com 314 internações.

"As quedas tanto nas internações quanto nas mortes por fogos de artifício são muito positivas, mas infelizmente existe uma grande probabilidade que haja uma subnotificação e os dados reais sejam maiores", afirma o presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, José Rodrigues Laureano Filho. Ele conta que a face, as mãos e braços são as regiões mais atingidas do corpo pelos fogos de artifício. "É preciso ter cuidado ao manipular esses artefatos e se proteger", orienta o especialista.

No mês de junho, o número de pacientes com entrada nos hospitais por queimaduras com fogos triplica, por conta das tradicionais festas de santo Antônio (dia 13), são João (24) e são Pedro (29). O levantamento registrou, no período de 2010 a 2017, que o estado recordista de internações foi a Bahia com 997, seguida por São Paulo (908) e Minas Gerais (671). Em quarto lugar aparece o Rio de Janeiro (387 internações), depois o Pará (234), Paraná (189), Paraíba (185), Santa Catarina (142), Ceará (131) e Rio Grande do Sul (120), Goiás (112) e Rio Grande do Norte (107). Os demais estados têm menos de 100 casos de internações/cada.

O especialista lembra que as queimaduras no rosto podem envolver diversos especialistas para a reconstrução de uma face ferida por fogos de artifício. "O melhor é evitar ou seguir recomendações do fabricante, além de comprar sempre em lojas credenciadas. Embora a legislação proíba que menores de idade manipulem fogos de artifício, cerca de um em cada quatro internado era menor de 18 anos. "Os pais precisam redobrar a atenção, principalmente nessa época do ano, e conversar sobre o assunto com os filhos", recomenda.

"Nas festas juninas e comemorações como finais de campeonatos esportivos importantes, além das festas de fim de ano, se faz amplo uso de fogos e rojões. Percebemos um aumento nos relatos de fuga, acidentes graves e fatais de animais", afirma Silvana Andrade, presidente da Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda). "Muitos, em seu desespero, são atropelados, enforcam-se na guia, se machucam severamente na tentativa de escapar. É perfeitamente possível divertir-se sem desrespeitar o direito dos outros seres vivos. Muitas cidades no mundo e, inclusive, no Brasil, já aboliram fogos com barulho. Não há tradição ou beleza que justifique os danos causados a quem não pode se defender", acrescenta.

O som forte produzido durante a queima dos fogos também pode causar danos irreparáveis ao sistema auditivo dos indivíduos, como perda de audição severa, uni ou bilateral, temporária ou - nos casos mais graves - definitiva e irreversível. O principal sintoma de que algo está errado é o aparecimento imediato de zumbido. Os bebês e crianças pequenas correm ainda mais riscos, como explica a fonoaudióloga Marcella Vidal, da Telex Soluções Auditivas.

"A imaturidade auditiva dos primeiros 18 meses de idade pode fazer com que haja lesão na cóclea - órgão localizado na orelha interna - se a criança for exposta a sons muito altos ou passar muito tempo em ambiente barulhento. Essa lesão pode passar despercebida no momento da festa. No entanto, pode dar início a um processo de perda de audição, uma vez que as células auditivas, quando morrem, não são repostas pelo organismo", explica Vidal, que é especialista em audiologia.

As crianças podem manifestar, no choro, o que estão sentindo. O pior é que na maioria das vezes os pais não se dão conta do estrago que os fogos podem ter acarretado ao sistema auditivo de seus filhos.

"Nesta época de festas juninas há muitos casos de perda de audição unilateral, em apenas um dos ouvidos, até mesmo em adultos. O maior problema é a intensidade de som dos fogos em um curto espaço de tempo. O prejuízo é imediato se estivermos muito perto. O sintoma mais recorrente é o zumbido, transtorno que atinge milhões de pessoas no mundo. Se depois do estampido dos fogos houver zumbido ou sensação de ouvido tampado é preciso procurar logo um médico otorrinolaringologista para avaliar a extensão e gravidade do dano auditivo", esclarece a fonoaudióloga.

O ruído - principalmente o dos rojões - pode atingir mais de 120 decibéis, mesmo a uma distância superior a três metros de onde o artefato está sendo aceso. O limite seguro de exposição aos sons é de 85 decibéis, de acordo com os especialistas. Para maior segurança, os adultos devem ficar pelo menos a 20 metros da explosão dos fogos, enquanto as crianças devem ser mantidas a uma distância de 50 a 60 metros.

O comércio já oferece opções de fogos de artifícios que não emitem som e algumas cidades do país, como o Rio de Janeiro, já proíbem o uso de fogos de artifícios que produzem barulho maior do que 85 decibéis. Deste modo, podemos apreciar o brilho e as cores dos fogos no céu sem o incômodo do barulho, poupando a todos nós de transtornos e riscos de perda auditiva.

Fonte: Monitor Mercantil



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